Neſta remota terra, hum filho teu Nas armas coutra os Turcos ſerâ claro, Ha de ſer dom Chriſtouão o nome ſeu, Mas contra o fim fatal não ha reparo: Ve ca a Coſta do mar, onde te deu Melinde hoſpicio gaſalhoſo & caro O Rapto rio nota, que o romance Da terra chama Obî, entra em Quilmance.

O visconde deve estar satisfeito de me ter logrado! Como elle dirá de si para si: presenteei-o com um objecto que vale mil libras, acenei-lhe com um titulo de conde e o tezo caiu no laço! «Eu poderia prescindir perfeitamente d'esse titulo. Para que quero eu um titulo? se fôr, para satisfazer os caprichos da Maria. O que me vae aborrecendo alguma coisa é o tal hospicio.

96 "Nesta remota terra um filho teu Nas armas contra os Turcos será claro; Há-de ser Dom Cristóvão o nome seu; Mas contra o fim fatal não reparo. a costa do mar, onde te deu Melinde hospício gasalhoso e caro; O Rapto rio nota, que o romance Da terra chama Obi; entra em Quilmance.

81 "Que geração tão dura hi de gente, Que bárbaro costume e usança feia, Que não vedem os portos tão somente, Mas inda o hospício da deserta areia? Que tenção, que peito em nós se sente, Que de tão pouca gente se arreceia? Que com laços armados, tão fingidos, Nos ordenassem ver-nos destruídos?

Outro portuguez, Simão Rodrigues d'Evora, era barão de Rhodes, cavalleiro, senhor de Tewerden, de Broeckstraate; pela sua enorme fortuna lhe chamavam o rei pequeno; possuia muitos predios na principal arteria da cidade, e habitava um d'elles, em que successivamente se hospedaram a infanta D. Izabel, a rainha Maria de Medicis e o principe cardeal Fernando d'Austria; fundou, com o fim caritativo de recolher doze senhoras da nobreza ou da burguezia reduzidas á indigencia, o hospicio de Sant'Anna, onde um triptyco de Otto Venius representava o retrato do fundador com seus filhos e sua mulher D. Anna Lopes Ximenes de Aragão.

Subtrahidas as despezas ficaria, com certeza, livre, mais do que a quantia necessaria para concluir o hospicio para os marinheiros. O conde agradeceu effusivamente a Laura o ter consentido em cantar, fazendo-lhe assim a vontade. Estephania, é claro, não partilhava do enthusiasmo do pae.

E da tumba do hospicio hora a hora resvalla Uma carga de entulho humano para a valla. Juntam-se aos nove e aos dez, rimas de carne morta, Na mesma cova. A edade e o sexo pouco importa. Confundem-se no podre açougue subterraneo.

Nas salas dos hospicios encontram-se no seculo XV e no XVI a disposição que indicámos na grande sala do hospicio de Tonnerre, e em outros; esta disposição é tambem a mesma nos hospitaes d'esta epoca, em Flandres. Porém limitemo-nos a citar um dos mais bellos monumentos conhecidos d'este genero, o hospicio da cidade de Beaune, fundado em 1442.

A linda capella do seminario actual, um dos mais bellos executados no seculo XIII, formava uma dependencia do hospicio que devia ter tambem claustro. A sala do hospital da misericordia de Chartres, estava dividida por columnas, e na extremidade oriental tinha um altar onde se dizia a missa para os doentes: nos outros hospicios mais importantes tambem existia um altar para o mesmo piedoso fim.

Outra calçada, a de Salvador Corrêa de , trocou o nome pelo de S. João Nepomuceno, quando os religiosos protegidos pela rainha D. Maria Anna de Austria fundaram o seu hospicio, daquella invocação, nas abas occidentaes do monte de Santa Catharina.