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Atualizado: 13 de outubro de 2025
Da minha parte, hei-de fazer o possivel por lhe não dar desgosto, porque o meu natural é bom, e ninguem, até hoje, se deu mal comigo. Ludovina ergueu-se, e pediu licença de retirar-se por um instante. D. Angelica entendeu-a, e seguiu-a pouco depois. Foi encontra'-la no quarto, afogada em soluços, curvada sobre o leito. Que é isto, filha? Nada, minha mãe...
Ludovina, cingindo a cintura da mãe, arrastou-a para longe do barão, que parecia, ao passo que ella falava, ir-se petrificando. A vehemencia da ira decaíu subitamente em syncope. D. Angelica encostou a face desfallecida ao seio da filha, que a levantou nos braços, e deitou no leito.
Sabia v. s.ª que era tamanho o seu dominio n'aquella innocente alma? Sabia... desgraçadamente sabia. Desgraçadamente!... essa palavra faz tristeza! Pois nem sequer o orgulho de ser assim amado o alegra? Sim, minha senhora tartamudeou o bacharel, afagando as guias do bigode tenho orgulho de ser assim amado... Desgraçadamente disse eu, porque me doem os soffrimentos da sr.ª D. Ludovina...
A idéa que dominava o barão era a morte de Antonio de Almeida. Ludovina perdera a esperança de afugentar o phantasma, empregando razões tão convincentes da vida de Almeida como eram mostrar-lhe cartas d'elle, que o barão ouvia ler com o sorriso do idiotismo, percursor de nova berraria.
Ricardo de Sá fez mentalmente o seguinte monologo: D. Angelica vae propôr-me o casamento da filha. Eis-me entalado n'uma crise imprevista! Está explicado o enygma da carta que Ludovina me escreveu hoje. Receia que eu me esquive á proposta; e tem razão. Eu não caso. Esta mulher está abaixo dos meus calculos. Lisonjeia um amante, mas não póde satisfazer as complicadas necessidades de um marido...
Ludovina! onde está esta mulher que nos anda envergonhando por lá? «Estou aqui, meu pae disse a baroneza com angelica serenidade, e sorriso de meiguice para sua mãe. Minha filha, minha santa filha, minha providencia! exclamou D. Angelica abraçando-a com arrebatamento. «Isso não é assim, Angelica! disse carrancudo Melchior Pimenta.
Eu não a entendo, minha mãe! Não pódes entender-me, Ludovina, não pódes... ai! deixa-me respirar, que eu não vivo uma hora assim... A baroneza amparou a mãe até á janella, que abriu. D. Angelica rasgava com as mãos os espartilhos compressores do collete, e fincava entre os cabellos os dedos com vertiginoso desespero.
Vou-lhe contar tudo, se me escuta... Sente-se, e ouça-me... Diz, anjo, diz... «Antonio de Almeida não morreu, e talvez não morra. O barão escreveu-me uma carta em que se despede de mim, e me recommenda que lhe peça o perdão para elle. N'esta casa ignora-se tudo. Meu pae está convencido que sou eu a amante de Antonio de Almeida... Jesus! exclamou D. Angelica. Como tu me castigas, Ludovina!
Sinto-me outra; perdi os costumes de creança; envelheceram-me com os desgostos continuos, e por isso hão de soffrer-me agora emancipada. Que vem tudo isso a dizer, Ludovina? Que quero a minha liberdade, que hei de passar por cima da oppressão á custa de tudo. Ludovina! que linguagem é essa?
Não me importa o que se diz de mim. «Essa é de cabo de esquadra! Pois não se te importa o que se diz de ti? Que se diz, snr. Dias? «Não sei; mas... elles lá sabem o que dizem. Elles quem? accuse-me sem piedade; repita as affrontas que me fazem; tenha a coragem de calumniar-me, se lhe é preciso inventar os meus crimes. «Tu estás fóra de ti, Ludovina! Isso não é assim!
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