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As ditas covas a modo de Bebedouros, se encherão de oleo de Escorpião; feito o que, os sapos se meterão na vazilha que será bem e justamente coberta com sua tapadoura e assentada sobre uma trenpe, em modo que a ponta do funil do segundo fundo em a bocca de hua garrafa de vidro, assentada em hua tigella de agua fria, e a coisa assim desposta se fará hua cama em redondo de ladrilhos da altura da trempe que a cercará toda ao redor, na largura de dois palmos até dois palmos e meio, em cima da qual se accenderá um fogo de roda brando e moderado de carvoens afastados da vazilha um palmo, mediante o que a vazilha irá aquecendo pouco e pouco, dentro da qual os sapos sentindo a quentura não acostumada, de sequiosos e suados, arremetterão a beber o olio de Escorpião dos Bebedouros, que lhes fará bomitar toda a peçonha que dentro em si tiverem, a qual, cahindo pela abertura do fundo da vazilha no segundo fundo do funil, e deste á garrafa, continuará o fogo, no mesmo estado por espaço de 4 a 5 horas, e assim o deixarão athe o outro dia, em o qual, querendo abrir a vazilha, terão em sentido virar as costas da parte do vento, e com hua vara ou aste hum pouco comprida, que passará pela azelha da tapadoura, desviando se o corpo da vazilha, o mais que poder, a destaparão e deixarão assim aberta por espaço de outras 4 ou 5 horas, ao cabo das quaes seguramente se poderão chegar á vazilha, e recolher o veneno da garrafa, ao qual se poderá ajuntar o sumo das ervas dos aconitos dantes exprimidos, e juntamente anemona, sicuta, meimendro, mendragora, malla insana, berengella, pés de ganços de todas as castas, ranunculos, erva Moura, arsenico branco, e cerebros de rato e de gato».