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Atualizado: 3 de setembro de 2026


Todo o espirito, ou tudo o que vive e respira, louve ao Senhor. Gloria ao Padre, etc. A Vós ó Deus, louvamos, e por Senhor nosso vos confessamos. A Vós, ó Eterno Pae, adora toda a Terra. A Vós todos os Anjos: a Vós os Céos, e todas as Potestades. A Vós os Querubins e Serafins com incessantes vozes proclamão: Santo, Santo Santo, Senhor dos exercitos.

A aristocracia refinada, devota e monarchica, adora Feuillet, a quem no fim de contas não deve muito, porque se quasi todas as suas mulheres são encantadoras de graça e distincção, n'ellas a virtude é, raramente, um principio inabalavel; em quanto que a fraqueza é na maior parte das vezes um requinte delicioso. A gente gosta de ler Feuillet, como gosta de estar n'um salão elegante.

Pescador ja foi Glauco, e deos agora He do mar, e Protêo phocas guarda; Nasceo no pégo a deosa, qu'he senhora Do amoroso prazer, que sempre tarda. Se foi bezerro o deos que cá se adora, Tambem ja foi delphim. Se se resguarda, Vê-se que os moços pescadores erão, Que o escuro enigma ao primo vate derão. Agora passa o vaqueiro a queixar-se da frieza com que a sua pastora recebe as suas finezas.

Vê-lo, rico de opprobrio, ir assentar-se Em joelhos, nos atrios dos tyrannos, Onde, entre o lampejar de armas de servos, O servo popular adora um tigre? Esse tigre é o idolo do povo!

Aquelle deixo, a quem do somno esperta O grão favor do Rei que serve e adora, E se mantẽe dest'aura falsa e incerta, Que de corações tantos he senhora. Deixo aquelles qu'estão co'a boca aberta Por s'encher de thesouros de hora em hora, Doentes desta falsa hydropesia, Que quanto mais alcança, mais queria.

A fallar a verdade, e por mais figas que a gente queira fazer ao padre José Agustinho ainda assim! ver o padre Baccho revestido in pontificalibus deante de um retabulo, não me lembra de que sancto, dizendo o seu dominus vobiscum provavelmente a algum acholyto bacchante ou corybante, que lhe responde o et cum spiritu tuo!.. não se póde; é uma que realmente... E então aquelle famoso conceito com que elle acaba, digno da Phenix-Renascida: O falso deus adora o verdadeiro!

Sim! adora a rude gente da lavoira, Sementeiras, gados, matagaes, lebreus, Porque não se esquece da vaquinha loira, Que se poz de joelhos ante a mangedoira, Quando nas palhinhas dormitava Deos... E por isso arreda pestes, ventanias, Fomes e procellas, bruxas e trovão, Lá para malditas, negras penedias, Onde silvam cobras doudas e bravias, E onde não existe nem christão, nem pão!...

No entanto a sua vida é quasi intermitente, Afunda-se na inação, feliz, gorda, contente; Adora inda as acções dos seus navegadores Velhos heroes do mar; detesta os pensadores; Faz guerra a Vida, á Acção, ao Ideal e ao cabo

Perdei huma vez o horror A ouvir ternos gemidos; Nunca ferírão ouvidos Brandas palavras de Amor. Que hora, e que sitio melhor, Do que este em que estamos sós? Que culpa, que crime atroz Temeis que ante vós farão As queixas de hum coração, Os suspiros de huma voz?­ Meu coração vos adora; Sem saber o conquistais: Estas ancias, estes ais São obra vossa, ó Senhora.

O lyrismo apaixonado, o arrebatamento epico, a verdade esplendida, o incitamento á virtude, o amor da gloria, o anjo saindo do homem, o bem santificando o bello? Não! O que hoje se adora, o que hoje se divinisa, é esse mesmo idolo eterno do fetichismo litterario Vichnou de innumeras encarnações, que em todos os seculos tem tido o seu cortejo de bonzos.

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