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Atualizado: 8 de outubro de 2026
Absurda cubiça de conhecer o que ella tão de siso me escondera, e que eu devia ignorar sempre! Oh! não me dizia eu nunca mais ouvirei fallar deste homem temivel; nunca mais lhe encontrarei os olhos dominantes; nunca os nossos halitos hão-de encontrar-se na atmosphera da mesma sala; nunca mais, deante de mim, ha-de a mão d'elle apertar a tua, ó mulher serena e docil!
Sentado á meza, o principe da Igreja Inclina a calva fronte aos seios tumidos D'uma hespanhola, cujo olhar flammeja, E em cujos labios humidos, Rindo, o prazer de beijos s'enebria! Ao vêr-te assim, myrrada Pelos impuros halitos da orgia; Ao vêr-te assim, na sombra, arremessada Dos canteiros nataes a impura alcôva, Quem ha que se commova, Pobre flôr dos jardins da Andaluzia?
Das mãos de neve, e do purpureo rosto Brancas brilhantes pérolas cahião No verde esmalte dos rizonhos prados; De ondas immensas de escarlata, e d'ouro Era o ceo do Oriente envolto, e cheio; E pelo espaço liquido dos ares Os adejantes Zéfyros das azas Da manhã fresca os hálitos soltavão; E a vaga turba aligera nos bosques, Dava o tributo dos primeiros hymnos Da Natureza ao renascente quadro.
Elles seguem no mar, altivos no seu rumo, Em halitos de fogo, á nossa voz fieis, E como o combatente erguendo a lança a prumo, Era turbilhões rompendo, as flamulas de fumo Ostentam sem cessar correndo entre os parceis! Que sopro creador, que força omnipotente Os fez surgir do nada, os monstros colossaes?